Quando eu era criança eu
abraçava as pessoas achando que assim podia sarar as suas dores. Os meus medos
eram reais, embora não o fossem, porque pra mim eles existiam. Eu transbordava
sinceridade, chorava e ria alto sem me preocupar se incomodava ou não, eu era
fiel ao meu coração e a tudo que eu sentia. Eu brincava como se a vida fosse
feita só de diversão, eu corria e minha energia nunca acabava e eu achava que
podia correr até o fim do mundo. Eu não entendia porque as coisas eram tão
complicadas, tudo era tão simples pra minha inocência! Eu era muito sensível e
tudo me machucava muito, eu chorava pelas minhas dores e muito mais ainda pelas
dores dos outros. Eu etendia muito mais as coisas e vida do que hoje...
Não entendo muito de luz, geralmente ela me deixa confusa...mal posso enxergar, nem fora nem dentro. Não suporto a escuridão, me falta o ar, o pulsar não. Meia luz me dá sono. Meio escuro me dá medo. Muita luz só serve se eu a direcionar, voltada pra mim só traz dor. A falta dela me leva em qualquer direção. Um céu escuro com milhares de estrela, um céu nublado com o sol bem escondido. O que me assusta é a ausencia ou a presença? Uma presença ausente ou uma ausencia que se torna presente.

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