Num imenso fundo azul pálido dançavam vívidos raios de luz, vindos do mais profundo absoluto, e uma suave brisa cintilando paz. Corriam e se espalhavam ao som da criação. Se expandiam e se recolhiam em movimentos ritmados como notas da mais bonita canção.
A água escorria por todos os lados e dava forma a inúmeras vidas, que nasciam e preenchiam cada espaço do infinito. Pontos de luminosidade se fixavam no azul que escurecia. Cada material ia se derramando do abstrato e ia se tornando concreto, cada um no seu lugar, povoando, perfomando, criado e criando. Tudo se fazia um, menos a luz e a brisa, que não podiam objetivar-se em nada, assim que uniram-se em um só essência.
Habitaram o mundo antes de ele se chamar assim. Uma essência hermética que pairava pela existencialidade sendo, e apenas sendo, até o momento que precisou ter, e tendo precisou dividir-se em dois seres diferentes, mas construídos pelo mesmo material, preenchidos do mesmo ar, formados pela mesma luz. Se dividiram aí tomando cada uma sua individualidade, mas com a mesma recendência.
Lançadas à criação, ao habitat surgido da vontade. Viveram por uma eternidade, iluminando e preenchendo, provando e liberando, voando e se arrastando. Na memória profunda a saudade do que foi um só.
Por tanto viverem, no sentido complexo que exprime a vida, se sabotaram na ilusão de chamar atenção do Tudo e do Todo, que com medo da luz mitigar e do ar se dissipar, as fez se encontrar, o que as testemunhas perpétuas sabiam ser um reencontrar.
Se tocaram, se expandiram, se recolheram, se envolveram, se mesclaram. Conviveram, se habitaram. Dissiparam a tormenta. Se despediram, mas tamanho foi o medo de se separarem outra vez que o ar agora brilha e a luz venta.
Não entendo muito de luz, geralmente ela me deixa confusa...mal posso enxergar, nem fora nem dentro. Não suporto a escuridão, me falta o ar, o pulsar não. Meia luz me dá sono. Meio escuro me dá medo. Muita luz só serve se eu a direcionar, voltada pra mim só traz dor. A falta dela me leva em qualquer direção. Um céu escuro com milhares de estrela, um céu nublado com o sol bem escondido. O que me assusta é a ausencia ou a presença? Uma presença ausente ou uma ausencia que se torna presente.
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