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Sonhadora inconstante...

                 Falta pouco, logo chegarei a praia, já posso sentir a brisa fininha e o cheiro do mar. A rua está vazia, só algumas folhas secas correm arrastadas pelo vento. Desço do calçadão e caminho um pouco, meio cansada sento e mil pensamentos passam pela minha cabeça enquanto desenho com o dedo indicador pequenos corações na areia. Fico observando o alegre movimento dos raios do sol dançando sobre a superfície da água. O sol já começa a dar-me adeus, e pinta o céu de lindas cores, como uma grande aquarela.
Levanto, sacudo a areia do short e caminho até o mar, as primeiras ondas que surgem, vem como se deslizassem sobre a areia. Tiro as sandálias e meus pés são cobertos pelo mar de um verde cristalino que permite ver através da água, quase enterrados, pequenos búzios coloridos.
               A cidade é praticamente toda constituída desses casarões centenários, neles moraram ilustres famílias do século XIX. Fico me imaginando naquela época, vestida com aqueles lindos vestidos rodados, na sala esperando por meu esposo, para então sairmos para os bailes, onde dançaríamos juntos, e ele me falaria lindos poemas que decorara por toda a tarde. 

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Vazio

Não entendo muito de luz, geralmente ela me deixa confusa...mal posso enxergar, nem fora nem dentro. Não suporto a escuridão, me falta o ar, o pulsar não. Meia luz me dá sono. Meio escuro me dá medo. Muita luz só serve se eu a direcionar, voltada pra mim só traz dor. A falta dela me leva em qualquer direção. Um céu escuro com milhares de estrela, um céu nublado com o sol bem escondido. O que me assusta é a ausencia ou a presença? Uma presença ausente ou uma ausencia que se torna presente.
Sentia o cheiro do sal, do mar, ouvia o som das ondas, sentia o sol beijar minha pele, o vento fazia dançar os meus cabelos. Não sei quanto tempo passou enquanto eu vivia, talvez 5 minutos ou 5 dias, estava serena e sentia paz, mas aos poucos ouvia um ruído que se tornava mais frequente e mais agudo, o vento gemia, abri os olhos lentamente, as ondas quebravam com força na areia, de repente a areia foi envolvida por uma corrente de ar que a fez girar e subir, pensei em levantar, tentar socorrer a areia ou talvez acalmar o mar, pensei em dizer palavras agradaveis para o vento, mas percebi que não fazia sentido, a natureza precisava ser e eu precisava me reter, dei três passos pra trás, sentei novamente, fiquei observando o caos, ele não precisava me envolver, voltei à minha serenidade.

Dias 4

Quando o céu está cinza chumbo, com nuvens pesadas, a brisa anuncia a chuva e as gotas caem, fortes, pesadas, sinto meu coração se encher de paz, sinto essa brisa na minha alma. Nunca entendi porque, geralmente as pessoas gostam de céu azul e sol, até perguntei à minha mãe se nasci em dia de chuva, mas ela disse que quando eu nasci estava sol. Eu absolutamente amo a lua, sinto que temos a mesma essência, não sei explicar, amo os planetas, as galáxias, mas eu nasci de dia, meio dia e vinte pra ser mais específica. Dizem que tenho uma vibe doce, mas eu amo filmes de suspense e serial killers. Minha mãe faz o melhor bolo do mundo, mas eu prefiro pizza. Parece que sou feita de desencontros, de paradoxos, um mar revolto na profundidade e sereno na superfície, onde os barcos deslizam tranquilos no perigo. Passo em estações, como passa a água por todos os seus estados, seca, molhada, fria, dispersa, em movimento, nem todos me agradam.Passo ao meu próprio passo, levo o que dá, deixo o que con...